jeudi, décembre 03, 2009

Budapeste

Mesmo sem ter entregue a tese resolvi chutar o balde e fazer uma viagem com um grupo de amigas ! Foi curtinho, só um findi, mas valeu a pena ter me desconectado um pouco da escrita. O destino: Budapeste, capital da Hungria, uma das principais cidades termais da Europa.
2 horas de avião separam Paris de Budapeste. Já no avião tivemos um primeiro contato com o húngaro. Me lembrei do livro homônimo do Chico Buarque, em que ele diz algo como, que uma frase numa língua que não conhecemos é como um fluxo de agua, que não da pra separar, algo assim. É realmente impossível saber onde termina uma palavra e começa a outra.


Chegamos num dia nublado e frio. Do aeroporto pegamos um trem e chegamos na estação Nyugati (do oeste), que foi construída pela companhia de Gustave Eiffel (sim, é o mesmo da torre). O albergue, Tiger Tims Place, dirigido por um Irlandês muito simpático, é um dos mais acolhedores em que já fiquei! Tim vem receber pessoalmente seus hospedes, da todas as dicas, e ainda organiza uma saída à noite com todo o pessoal do albergue pra ir pra balada.

Budapeste era antigamente duas cidades: Buda e Peste, separadas pelo rio Danúbio (é o mesmo que passa por Viena, e que corta ainda diversos países antes de desembocar no Mar Negro) e que foram unificadas durante o império austro-húngaro. Mas ainda hoje se faz referencia às duas cidades.
No primeiro dia passeamos por Peste. Primeiro ponto: o Mercado Público. Ir no Mercado de uma cidade da uma impressão quase sempre inequívoca dos costumes de seus habitantes. Foi no mercado que descobrimos por exemplo que a culinária local é fortemente baseada no uso de paprika, que é como eles chamam pimentão. Pimentão é uma das raras coisas que eu simplesmente me recuso comer. Não suporto o cheiro. E me dá azia. E o mercado todo cheirava (pra não usar um verbo pior) à paprika....

Ai resolvemos almoçar no mercado. Descobrimos uns buffets de comida local, paga por porção. No cardápio, goulash de porco ou gado, massa feita de milho, e muitas outros tipos de comida feitas para "encher a barriga". Perfeito para o frio. Não preciso dizer que tudo vinha temperado com paprika. Eles serviam até paprika pura e em conserva. Me armei de coragem e provei o pimentão que eles serviam, uma variedade verda-clarinha, quase branca. Eh engraçado, porque ele tem cheiro de pimentão, mas o gosto é meio diferente. Nao sei descrever. E tipo café, que tem um cheiro super bom, mas o gosto nem tanto (pra quem nao gosta de café, obvio). Bom, no caso, o gosto do paprika branco era melhor que seu cheiro.
A refeição foi super barata: 850 forints, o que equivale à 3 euros e 50.
Tentamos aproveitar bem o dia até as 4h30 da tarde, quando começava a escurecer. É normal, a Hungria esta no mesmo fuso horário de Paris, mas muito mais à leste, ai o sol se põe bem mais cedo.

No fim do dia fomos tomar um chocolate quente no célebre café Gerbeaud (que se parecia muito com o café Sacher de Vienna). Foi no menu do Gerbeaud que aprendemos que a palavra "quente" em Húngaro é: "FORRO" ! como a dança brasileira... ;) A pronuncia é praticamente a mesma ! Esse aprendizado iria nos salvar o dia mais além...

Nos éramos um grupo de 4 brasileiras e 2 francesas. Quando os locais percebiam que éramos turistas, eles perguntavam, primeiro num inglês meio fraco, de onde vínhamos. Quando dizíamos que vínhamos de Paris, eles falavam em francês! E quando descobriam que tinha brasileiras no grupo, diziam: "Brasil, Portuguese!" Como se quisessem mostrar que sabiam que no Brasil a gente fala português ! Era muito engraçado, pois é bem comum pensarem que no Brasil falamos espanhol. E eles faziam questão de mostrar que sabiam qual língua falamos.


No domingo fez um sol maravilhoso! Saímos em direção à Buda, do outro lado do Danúbio. Atravessamos a ponte Marguerite, que toca o sul da ilha homônima. Os budapestinos (como dizer aquele que nasce em Budapeste?) fazendo seu jogging de domingo. Que vontade...
Acho que visitar uma cidade durante o outono é muito mais prazeroso do que ir durante o verão. Tem menos hordas de turistas, o friozinho incentiva andar à pé, e as cores do outono são magníficas! Fomos à pé até a Igreja Matthias, dentro da antiga citadela medieval de Buda. A vista da cidade la de cima é linda! Nessa citadela também fica o Castelo de Buda.


Pelas 15h30 descemos em direção à Peste novamente, atravessando a Chains Bridge (ponte Széchenyi), e tendo uma linda vista do Parlamento de Buda do outro lado do rio, colorido pela luz do sol que ja estava se pondo. O parlamento lembra muito o de Londres, também construído à beira do rio.
Cruzamos Peste à pé, pela avenida Andràssy, conhecida como a Champs Elysee de Budapeste, por suas lojas caresimas. Só podem ser turistas que compram nessas lojas, pois pelo que a gente entendeu, a situacao financeira dos Húngaros nao é das melhores.


Chegamos até o parque da cidade, no meio do qual ficam localizadas as maiores termas medicinais da Europa: as termas Széchenyi. Já era escuro, mas as termas ficam abertas até 22h. A entrada custava 3100 forints (uns 12 euros). Essa terma tinha piscinas internas e externas. Fazia super frio, a gente teve que correr do predio até a piscina, mas depois de entrar na agua a uns 35 graus, é so felicidade! As piscinas são bonitas, o clima é legal, tem até um tabuleiro de xadrez pro pessoal jogar dentro da piscina quente.

Depois de uns 20 minutos na água quente a gente vai se sentindo mole, mole... E recomendado sair e tomar uma ducha fria, pra reativar a circulação. A gente fez o tour de piscinas, externas e internas. É tudo liberado, todo mundo entra sem exame médico... mas azar, sou da teoria de que é bom colocar o corpo em contato com umas bactérias estrangeiras de vez em quando, pra ele aprender a se defender sozinho. No final ninguém teve micose, que eu saiba.

Só pena que a segurança do local deixou a desejar. Saindo, com uma amiga, do toilete feminino, o qual era de frente ao toilete masculino, nos deparamos com um cara em pleno "trabalho braçal" num canto da saída. O cara estava posicionado de forma que todas mulheres saindo do toilete pudessem admirar seu instrumento. A gente saiu de la, cada uma pensando "Será que eu vi certo?". Como a visão de uma confirmava com a da outra a gente explodiu rindo.... Deveríamos ter chamado um segurança, mas como explicar a situação em húngaro? Fazendo mímica? Eu é que não.... ;)
Fora essa exceção, as termas são muito familia. Acho que ir pras termas em Budapeste deve ser como ir pra Redenção pra gente em POA (tem até os tarados, hehe).

A gente jantou num restaurante chamado ... Paprika :) Muito bom, até porque, escolhi um prato SEM paprika. Provamos também o célebre foie gras húngaro, que se come de maneira diferente do Francês: eles passam a gordura amarela pura no pão, alias, veio mais gordura do que foie. Então acho que nesse ponto eu prefiro a versão francesa....

No outro dia, saímos de manha bem cedo pra pegar o trem pra ir pro aeroporto. Dentro do trem resolvemos tomar um chá e comer alguma coisa. A senhora que atendia no vagão-bar simplesmente não entendia o que queríamos: "Ice Tea ?" Ela apontava pras latinhas de Ice Tea. "No, HOT tea !!" E fazíamos de conta que estávamos nos abanando, com calor, pra ela entender que queríamos chá quente, normal !, ora. Nada, ela não entendia "hot".
Até que a gente lembrou do que aprendeu no café Gerbeaud:  
"FORRO !!! FORRO tea !"
"Ahhh!" E enfim ela nos mostrou os sachês de Earl Grey...;)
As delícias do aprendizado de uma nova língua...

Mais fotos aqui no Picasa: http://picasaweb.google.com/laura.mastella/FindiEmBudapeste#

dimanche, novembre 29, 2009

Google Translator

Amigo Francês, que sempre dá uma passada de olhos por esse blog que fala sobre seu país, mas nunca entende muita coisa: agora você pode clicar no Google Translator aí do lado, e os posts serão automaticamente traduzidos em Francês !  Pode ser em Inglês também, mas eu sei que você, amigo Francês, não tem muita simpatia por [e nem muito domínio da] língua dos amigos rosbifs. (agora eu agradei a todo mundo...)

Só não garanto a tradução das gírias brasileiras, quanto menos das gaúchas ....


mercredi, novembre 25, 2009

Le beaujolais nouveau est arrivé


Beaujolais é uma região da França ao norte de Lyon. Aqui na França, o nome da região dá o nome dos vinhos que lá são produzidos, assim como Bourgogne e Bordeaux. A apelação mais conhecida do Beaujolais é a Beaujolais Nouveau, ou Beaujolais Novo.

A chegada do Beaujolais Nouveau é uma tradição, festejada não só na França, mas em diversos países. Todos os anos, no 3a quinta-feira do mês de Novembro (foi no dia 19 passado), as primeiras garrafas de Beaujolais Nouveau são distribuidas. Como ele não é um vinho feito para envelhecer (não, nem todos os vinhos devem envelhecer !)  ele deve ser bebido rapidamente, nos meses que seguem o engarrafamento.

As pessoas esperam a meia-noite da 3a quinta-feira para receberem o Beaujolais Nouveau e começarem a festa. Muitos se contentam em degustar o Beaujolais Nouveau no seu bistrô preferido, entre amigos. Mas em algumas cidades da França tem festa forte nas ruas. Uma amiga me contou que seu namorado saiu pra fazer a festa do Beaujolais Nouveau e voltou com um olho rocho, e nao era ressaca...

Se "vinho" é uma instituição importante aqui na França, "polêmicas" vem logo em seguida. Como todos os assuntos, o  Beaujolais Nouveau gera apaixonados posicionamentos contra e a favor. Tem gente que vê a festa do Beaujolais Nouveau como a causadora de perturbações e acidentes em conseqüência de alcoolismo coletivo.

Outras pessoas acham que a chegada do Beaujolais nouveau é só mais uma festa, assim como a Festa da Música (outra festa de rua francesa) ou a Festa de Halloween (que tem menos seguidores por aqui).


Anyway, pelo que entendi, o Japão é um dos países que mais aprecia o Beaujolais Nouveau, não sei porque... No ano passado inventaram um banho de Beaujolais Nouveau, numa piscina de vinho servido por um sommelier... (por que os japoneses tem sempre que dar um tom "over" pra coisa?   :p )

Mas o Beaujolais Nouveau não é o único vinho novo que se festeja. A cidade de Würzbuerg, que conheci muito bem durante minhas visitas aos amigos Godos em 2006, ficava no meio de vinhedos, e tinha uma cave dentro do Juliusspital, e eles tem também um dia pra festejar o vinho novo! Mas eu não vou lembrar o nome do vinho em Alemão, se o Gustavo ler o post até aqui ele coloca no comentario.  ;)

Um pouco de Enologia de Manual agora:
Desde que cheguei aqui na França ainda não tinha provado esse famoso Beaujolais Nouveau. Até porque, apesar de toda a função em cima dele, é um vinho conhecido por "não ser muito bom". Eu comprei uma garrafa pra provar. Não sou uma connaisseuse, mas ele não agradou meu paladar. Apesar de os especialistas dizerem que o Beaujolais Nouveau 2009 é bom, eu (e a maior parte dos não especialistas) não gosto porque ele ácido. Sabe o vinho de mesa baratinho que tu compra no Zaffari?  :-) Exagerei...

Isso é normal, pois ele é um vinho novo (produzido recentemente). A acidez do vinho é diretamente proporcional a sua idade. Quanto mais o vinho envelhece antes de ser aberto, menos ácido ele fica. Ja o nível de álcool é o contrário: ele é mais baixo em vinhos novos, pois ainda não houve fermentação suficiente pra produzir mais álcool. O Beaujolais Nouveau fica nos 12%. Os vinhos franceses vão de 11 à 18% de álcool.

Mas como eu escrevi acima, nem todos vinhos devem envelhecer. Alguns vinhos tem a curva de vida bem curta (os fatores que determinam a curva de vida do vinho estão além do nosso aprendizado no curso de enologia, então não poderei esclarecer sobre isso), e viram vinagre se ficarem guardados muito tempo. Por falar em vinagre, sabe de onde vem esse nome?  Pois vem do Francês:  Vin + Aigre (Vinho + Azedo)

Bah, agora tirei Azão no curso de enologia !  =)
(Pior é que eu fiz mesmo: http://laura-france.blogspot.com/2008/01/um-curso-de-enologia-enfim.html)


E nesse sábado tem uma espécie de Feira do Vinho aqui em Paris, é o Salons des Vins des Vignerons Indépendants  (http://www.vigneron-independant.com/auxsalons/), um evento gigantesco com milhaares de stands de produtores independentes de vinho de todas as regioes da França!
O cara paga 6 euros, entra, pega uma taça, e passa de stand em stand pedindo pra "degustar". Você diferencia os bêbados dos degustadores sérios porque os últimos realmente se utilizam do balde pra cuspir vinho... :p   Nos stands, eles te servem só um fundinho de vinho por vez (afinal é so pra "degustar"), mas imagina no final do 3468° stand ... 

Eu to é a fim de lançar a tese pro alto e ir degustar uns vinhos. Como diz aquela famosa canção brasileira, Bora beber, cair e levantar !

vendredi, novembre 20, 2009

Data da defesa: missão impossível

1   doutoranda
7   membros da banca (sim, eu disse 7 !! isso inclui os "3" orientadores)
40 dias úteis (entre janeiro e fevereiro 2010): período dentro do qual os membros da banca deveriam entrar em acordo sobre uma data para a defesa

0  datas em que todos os membros da banca estão disponíveis entre jan e fev/2010.

Essa eu acho que nem o Doodle resolve....
As discussões recomeçaram.... Agora sobre o mês de março.... E minha bolsa termina em janeiro.
Só espero defender ainda em 2010   =)

jeudi, novembre 19, 2009

França 2010

Eu não entendo e em geral não me interesso por futebol. Não tenho a mínima idéia se os caras jogam bem ou não, e em geral perco o interesse rapidinho se o jogo se passa sem muita movimentação.
Se eu torço pelo Brasil na Copa do Mundo é só por patriotismo.

E no final, é o mesmo motivo que me faz torcer pela equipe da França. país que eu escolhi e pelo qual fui adotada!

É por todo esse sentimentalismo que eu estou aliviada pelo resultado do jogo qualificatório França x Irlanda que aconteceu esta noite, aqui em Paris, no Stade de France.
A França quase não foi pra Copa 2010 ... O jogo foi uma m.... eles não jogaram bem..... levaram 1 da Irlanda, e no final fizeram um gol no estilo mão de deus ... Empate que dá a vitória. Bref, uma qualificação beem meia boca. O único que valeu alguma coisa foi o goleiro. Tá todo mundo feliz mas com aquela sensação de ... que feio, ganhar assim ...  :p

Mas pelo menos eles estão na Copa !!! Nada contra a Irlanda, pelo contrário, fiquei triste por eles... Mas eu sofri como se fosse pelo Brasil nesse jogo, acho que se a França não fosse pra Copa eu ia chorar... Sabe aquela sensação que todo mundo vai pra festa e você não vai porque não fez o tema de casa ..
 
Allez les Bleus !!!

Agora, em caso de jogo Brasil x França na Copa, ainda não decidi pra quem vou torcer... pois é... podem criticar, mas já comemorei tantas vezes pelo Brasil, agora estou com vontade de comemorar pela França também ;)

lundi, novembre 09, 2009

Meu primeiro filho!

Eu sei que ninguém vai cair na pegadinha  ;)  é obvio que estou falando da Tese (agora, em maiúsculas, pois é nome próprio).
É que ontem eu passei por uma situação quase idêntica à descrita num recente PhD comics.

Eu estava conversando no telefone com minha mãe. Estava, pela milésima vez, chorando as pitangas sobre minha tese, etc, etc. No meio da história acabamos concluindo que minha Tese é minha primeira experiência como gestante. Olha, não é de todo mal como comparação, às vezes tenho até enjôos.


(felizmente, minha mãe não se parece nenhum pouco com a mãe da doutoranda do PhD comics ;-)

Balanço atual da situação: o Directeur de These #1 já fez as primeiras correções no texto, principalmente de linguagem. Hoje mesmo eu envio o texto corrigido para o Directeur de These #2, que vai se dedicar às correções técnicas. Fora isso, tenho ainda 2 metades de capítulos à terminar. E a conclusão.
Ah, e tenho que escrever um resumo de umas 10 páginas em francês, já que estou escrevendo a tese em inglês. Entre as duas línguas, o inglês é mais fácil pra escrever por vários motivos. Nenhuma acentuação, tempos verbais mais simples, e, o mais importante, TODA minha bibliografia é em inglês, a maioria dos termos eu nem conheço o equivalente em francês, seria trabalho dobrado ter que procurar a tradução.


Meu filho vai nascer bilíngüe !  :-)

Espero começar a sentir as contrações logo logo.


jeudi, novembre 05, 2009

L'automne à Paris

Já estamos quase no inverno, mas o clima ainda é de outono, a estação do ano que eu mais aprecio.
Pra mim verão só é bom perto do mar, o inverno tira a vontade de sair de casa, e na primavera a gente fica com alergia. O outono é pra mim, com seu solzinho ameno, folhas alaranjadas, friozinho gostoso, a estação mais agradável.
Foto: Eglise Saint Eustache, www.photo-paysage.com

 Foto: Jardin de Tuileries, www.photo-paysage.com
 O frio é ainda suportável, e convida a uma balada nos parques pra gente se aquecer. E abre o apetite pros pratos tipicamente invernais que a gente já começa a degustar !
E a cor das folhas .... ahhh, eu vou sentir falta dessa paisagem alaranjada de Paris no outono !

Deixo o endereço de um site com lindas fotos da França outonal.
www.photo-paysage.com

A única desvantagem dessa época é que quando começa o horário de inverno (aqui foi no dia 24 de Outubro) às 17h já fica super escuro e dá uma vontade de voltar pra casa...... A gente leva tempo pra se acostumar com a mudança brusca de voltar pra casa quando ainda está claro e quando já é noite escura. Mas compensa porque agora estamos a somente 3 horas de diferença do Brasil, o que facilita horrores a comunicação telefônica.

Bom, é melhor eu parar de divagar e voltar pra tese, que tem folhas ainda bem branquinhas esperando por mim ....